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Wednesday, September 9, 2015

Carnismo: a teoria que mudou meu comportamento alimentar / Carnism: the theory that changed my eating behavior


Carnismo. Essa foi a palavra que mudou pra sempre minha relação com a comida. 
Criada por Melanie Joy, essa moça inteligente do vídeo acima, Carnismo é uma ideologia invisível que faz a maior parte dos humanos verem o consumo de carne como algo natural e necessário. Sem o questionamento do por quê amamos alguns animais enquanto comemos outros, passamos boa parte de nossas vidas (ou até vidas inteiras) dependendo do abate e maus tratos de bilhões de animais, e nos apoiando na teórica "necessidade" humana de ingerir carne.
Sim, o cérebro humano se desenvolveu quando nossos ancestrais começaram a ingerir maior quantidade de proteína e gorduras. Porém, dois milhões de anos depois, o cérebro humano já está desenvolvido ao esgotamento, tão poderoso a ponto de ter criado a possibilidade do crescimento de carnes em laboratório, e de entender que uma reunião equilibrada de fontes vegetais nos oferece a mesma quantidade de proteína e outros nutrientes do que qualquer tipo de carne. Por isso o título do blog é "Why Meat?". Porque a mudança só aconteceu pra mim quando, ao conhecer a teoria do Carnismo - e estudar outras opções alimentares - entendi que eu tenho opções: a minha passou a ser, e acredito que sempre será, aquela que não ocasionar mal para outro ser vivo ou para o planeta em que vivo. 

Como comentei na introdução do blog, essa coleção de receitas foi iniciada em 2011, quando ainda morava no Brasil. Quatro anos depois, ao me descobrir uma nova vegetariana, voltei ao blog e tive a feliz surpresa de notar que quase 70% das receitas antes postadas não incluíam carne. De agora em diante, pretendo ajudar Melanie Joy e outros como ela que foram suficientemente corajosos para perguntar: "WHY?"

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Carnism. The word that changed forever my relationship with food.
Created by Melanie Joy, this intelligent girl on the video, carnism is an invisible ideology that makes most humans feel the consumption of meat as something natural and necessary. Without questioning why we love some animals and eat others, we spent much of our lives (or even lifetimes) depending on the slaughter and mistreatment of billions of animals, and supporting ourselves with the theoretical "need" to eat meat.
Yes, the human brain evolved when our ancestors began to eat higher amounts of protein and fats. However, two million years later, the human brain is already developed to exhaustion, so powerful that has created the possibility of lab meat growth, and to understand that a balanced mix from plant sources offers us the same amount of protein and other nutrients that any kind of meat. Thats the reason why the title of the blog is "Why Meat?". Because the change only happened to me when I got in touch with the theory of carnism - and began to study other food options - than I realized I have options: mine came to be, and I believe it will always be, one that does not cause harm to another living being or for the planet where I live.

As I commented in the introduction of the blog, this collection of recipes began in 2011, while I was still living in Brazil. Four years later, finding myself a new vegetarian, I went back to the blog and I was happily surprised to note that almost 70% of the past recipes did not include meat. From now on, I want to help Melanie Joy and others like her who were brave enough to ask, "WHY?"

Sunday, March 9, 2014

O Renascimento do Patê (Pâté's Revival)



O Patê morreu por um ano dentro de mim, e na tela do meu computador. Morreu não, ficou em coma, em estado vegetativo. 
 No início de 2013, resolvi que iria iniciar um MBA, um curso focado em Marketing (que a princípio não tem nada a ver com Veterinária, que é minha profissão de formação, mas era a base dos novos rumos que eu havia dado à minha carreira). Dias e dias planejando minha rotina com o novo curso, até que um dia meu marido entra em casa e diz "recebi uma proposta de trabalho nos EUA, topa?". Como não era a primeira proposta que ele recebia, respondi tranquilamente para ele pensar o que seria melhor pra ele, mas no fundo pensando "dessa vez também não vai dar em nada". Ele respondeu: "ok, vou começar a me mexer então, pode ser que eu seja chamado para uma entrevista". Um mês depois, em Março de 2013, após alguns contatos telefônicos feitos entre ele e uma empresa americana, fomos chamados para passar um final de semana nos EUA. Seria a ocasião da entrevista dele, e uma oportunidade de conhecer a cidade que poderia se tornar meu novo lugar no mundo. A primeira impressão foi ótima: cidadezinha linda, arborizada, histórica - ok, pensei. Dá sim pra morar aqui.
 Após o super marido ser aprovado na entrevista de trabalho e depois de muita (muita mesmo) burocracia, papéis, consulados, seis meses depois estávamos com nossas malas e passaportes em mãos, dispostos a vivenciar essa aventura de viver fora de nosso país natal. 
 Muitos me perguntam o que faz com que alguém tenha coragem (e vontade) de deixar família, amigos e emprego para ir viver num lugar estranho. Não posso responder por outros, mas nós estávamos descontentes com a qualidade de vida que tínhamos no Brasil, e estávamos desfrutando de um medo absurdo do futuro, o de não conseguir juntar grana pra ter um apartamento melhor, não ter grana pra educar um filho numa escola brasileira de alto padrão. Temos um país lindo, mas extremamente mal administrado. Brasileiros pagam impostos altos que infelizmente não são investidos em nossas vias, em nossos hospitais, em nossas escolas. O dinheiro não chega em nossos cidadãos. Sim, como cidadãos talvez devêssemos pensar em ficar lá exatamente pra tentar melhorar nossa pátria, mas cá entre nós, esse patriotismo é lindo só na teoria e é de um amor pouco recíproco, se é você que está esperando atendimento no SUS. A oportunidade bateu na porta, e cá estamos nós.
 Sobre os quase seis meses iniciais aqui, posso dar minha visão, bem pessoal. Americanos são seres educados, gentis e diretos. Amáveis mas de difícil intimidade. Partilham de um trânsito organizado, não jogam lixo no chão, param para travessia de pedestres, não gostam de proximidade física com quem não conhecem, são loucos por esportes, adoram carros grandes e sanduíches maiores ainda e jamais vão tocar sua campainha sem serem convidados, a não ser que sejam Testemunhas de Jeová pregando num sábado de manhã. Tenho aprendido muito com eles e só tenho a agradecer a esse país que me recebe todos os dias tão bem. 
 Como ser emocional que sou, o único lado ruim dessa aventura se chama saudade. Tenho uma saudade doída dos meus pais, dos meus avós, de alguns amigos, do meu antigo emprego. Deixar seus lugares e suas pessoas provoca uma certa perda de identidade. Quem é você, sem o bar que vai toda sexta à tarde? Quem é você, falando uma Língua que não é a sua? Ainda sobre a nova Língua e sua nova rotina - como é pra você lidar com seus erros e com a perda de admiração que você demorou anos para construir nas pessoas ao seu redor? 
 Tenho um amigo querido que já morou fora, e ele me disse algo muito interessante: Morar fora faz com que a gente descubra quem realmente é. Segundo ele, não é que você se reinvente em um outro lugar. Morar em outro país é a maior pressão que você pode sofrer pra saber quem você é, como em uma aula real de autoconhecimento. Não se perca de si mesmo, essa é a lição.
 Tenho me encontrado (ou deixado de me perder) na minha nova cozinha. A partir de agora o Pâté vem com as receitas dessa nova fase e em dois idiomas, assim os novos amigos também poderão se tornar leitores. Sejam novamente bem vindos.

Rafaella

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 For one year The Pâté died inside me, and on my computer screen. It was not died, but was in coma, in vegetative state.
 In the beggining of 2013, I decided to start a MBA, a Marketing focused course (that has no correlation with Veterinarian Medicine which is my profession, but was the basis of new directions that I had given to my career). Days and days planning my routine with new classes, until the day my husband entered in our house saying: "I received a job offer in USA, wanna go?". It was not the first time he received an offer, so I thought: "this time is going to be the same and will come to nothing". He answered: "ok, I'm going to start working on it, maybe I'll be called to an interview". One month later, in March of 2013, after some calls between him and an american company, we were asked to spent one weekend in USA. It would be his interview and the oportunity to know the city that could be my new place in the world. The first impression was good: a beautiful little city, historical and full of trees - ok, I thought. I can live here.
 After my husband's approval in the job interview and after a lot (a lot, really) of burocracy, sheets, consulates, six months later we were with our luggage and passports in our hands, willing to live a life abroad.
 Some people have asked me about what makes a person want and be brave enough to leave family, friends and a job, going to live in a different place. I can't answer for others, but we were unhappy with our life's quality in Brazil, and we were experiencing a monstrous fear of future, regarding not having money enough to buy a better apartment, to pay for a child to be educated in a high standard brazilian school. We have a beautiful country, but with a bad administration. Brazilians pay a lot of taxes, that unfortunately aren't invested in our roads, hospitals or schools. The money doesn't go to our citizens. Ok, as citizens we should think to stay there exactly to make our country better, but just between us, patriotism is beautiful only in theory and is a not reciprocal love when you are in a lane at a Public Hospital waiting health treatment. The opportunity knocked our door, and here we are.
 About the almost six month we've been in USA, I can give you only my view, very personal. Americans are polite, kind and direct. Lovely, but with a privacy hard to run through. They share an organized traffic, they don't throw trash on the floor, they stop to give passage to pedestrians, don't like phisical proximity to those they don't know, they're crazy about sports, they love big cars and even bigger sandwuiches and they will never ring your
doorbell without being invited, with the exception of Jeova's Witnesses preaching on a Saturday morning. I have learned a lot with them and I'm thankful to this country that received me so well.
 Being emotional as I am, the only bad side of this adventure is called "missing". I feel a painful missing of my parents, my grandparents, of some friends and of my job. Leaving your places and your people causes a kind of lost identity. Who are you, without the bar you are used to go every Friday evening? Who are you, speaking a Language that is not yours? Also regarding the new Language and the new routine, how is to you to deal with your own mistakes and with the loss of admiration that you took years developing in people around you?
 I have a loved friend who had lived abroad, and he said an interesting thing: Living abroad makes you know who you really are; He said that you don't reinvent yourself. Living abroad is the highest pressure you can experience to realize who you are, like a self - knowledge real class. Don't lose yourself, that is the lesson.
 I have found myself (or I've tried to not lose myself) in my new kitchen. From now on the Pâté will show this new phase recipes and in two Languages (Portuguese / English), so the new friends can read it too. Welcome,

Rafaella


Wednesday, February 6, 2013

Um Até Logo




Depois de mais de um mês, vim aqui me justificar e dizer um até logo. Iniciamos um novo ano e só agora, já em Fevereiro, consegui vir escrever no blog. 
O ano de 2013 será de muito trabalho e de novos projetos - o que também inclui muitos estudos - e assim cada vez mais sinto falta de tempo, não só para escrever aqui, como também para criar novas receitas e me dedicar à culinária. Em casa tem rolado até lasanha congelada e pudim de caixinha, acreditam?
Sobre as experiências que tive nesses dois anos de Patê: conheci (virtualmente) pessoas que amam cozinhar tanto quanto eu. Descobri pessoas que se dedicam a um blog exclusivamente e com paixão - não consigo competir com isso. Não dá tempo de criar sorteios ou de melhorar o design do blog - nem me sinto disposta a cozinhar algo que não tenho vontade apenas porque não posso repetir uma receita aqui. Estou em busca de uma vida mais simples, mais fácil, e isso inclui não me cobrar (ainda mais) por perfeição. 
Pensei por alguns instantes em excluir o blog, mas desisti. Primeiro, porque quero poder retomá - lo assim que sentir vontade, e porque as publicações estarão aqui, à disposição dos leitores. Receita de camarões com catupiry? Tem. Receita de molho bolonhesa? Tem. Receita de um prático Boeuf Bourguignon? Tem. Então, o Patê continuará aqui.
2013 é o ano do cérebro. Vou estudar pacas e trabalhar na mesma medida, mas com o coração feliz pelas oportunidades que a vida tem me dado. 
Um Feliz 2013 a todos. Continuem cozinhando com amor. 
Beijo grande,
Rafaella

Saturday, December 24, 2011

Quase 1 ano do Patê e um Feliz Natal



 Esses dias estava pensando em como 2011 passou rápido. Não sei se é impressão minha, mas parece que quanto mais velhos ficamos, com mais responsabilidades, mais rápido o tempo passa. Me lembrei que foi em 31 de Dezembro do ano passado (2010) que resolvi passar meu amor pela Culinária para o computador, e assim nasceu o Patê de Siriguela numa noite de Reveillon. Passado um ano, só tenho a agradecer pela experiência. Conheci pessoas através do blog - algumas não pessoalmente, mas que acompanham, escrevem, comentam, e que dessa forma participam da minha vida - e também descobri a importância de ter um hobby, algo que fazemos por amor e não por obrigação. O Patê de Siriguela ainda é um blog jovem, bem menos visitado que outros na web, mas me trouxe muita felicidade, e ao meu marido também, que afinal teve que participar comendo muito! Né, amor?? Então, a todos que torceram e acompanharam o primeiro ano do Patê, deixo meu muito obrigada e a promessa de que outras postagens acontecerão aqui.

 Já há alguns anos os Natais têm sido atípicos. É difícil reunir a família toda, até porque hoje a minha família é a minha de sangue e a do meu marido, que também adotei como minha. Com o tempo e crescimento dos "núcleos familiares", fica mais difícil unir a todos. Com vocês também é assim? Vocês sentem saudade de alguém no Natal? 
Este ano meus pais vão viajar, e eu e o super marido vamos ceiar na casa de um tio, com minha avó materna. Ano Novo é nos pais dele, pois dia 01 de Janeiro é aniversário do meu sogro - que é meu 2o. pai, de verdade. 
Por isso, minha cozinha hoje produziu apenas uma torta de limão para a ceia de hoje. Não vou ser responsável por nenhum peru, tender, chester ou algo parecido. E vocês leitores, vão cozinhar e comer o que? 
Quanto à minha torta de limão, ainda está no forno e sem fotos, assim fica para a próxima postagem!


 Neste Natal caprichei na arrumação da casa. Coloquei nossa mini-árvore sobre o rack, espalhei papais-noéis, e assim nossa casa recebeu o espírito natalino. Para quem vai receber visitas na Ceia e quer caprichar na mesa, encontrei dicas legais nos sites abaixo:





 E quanto aos pratos para a Ceia, o Guia da Cozinha traz opções de cardápios super práticos, o Receitas de Natal traz receitas típicas natalinas, e o site da Sadia apresenta receitas fantásticas preparadas pelo chef bonitão Rodrigo Oliveira. 


 Mais importante que montar uma bela mesa, preparar uma receita saborosa ou distribuir presentes, é lembrarmos do significado do Natal e renovarmos os nossos votos para 2012: paz, amor ao próximo, tolerância, sabedoria, honestidade, generosidade, solidariedade, paciência. Em busca de um mundo melhor, sempre.


Feliz Natal a todos!

Beijo grande,
Rafaella




Tuesday, September 20, 2011

Tributo à Gabi



 Tem gente que eu gostaria de ter conhecido, que adotei como exemplos de vida e de superação. A Gabi é uma dessas pessoas - eu tinha tudo para conhecê-la, pois somos da mesma cidade e temos a mesma idade, mas a Vida não nos apresentou. Fiquei conhecendo a Gabi na web, e me emocionei. A Gabi tem alguns blogs de culinária, que trazem receitas de dar água na boca. Em geral são receitas leves, saudáveis e que representam para ela o início de uma vida melhor e de respeito ao corpo. Lindo, lindo. A Gabi, além de escritora de um blog de receitas assim como eu, descobriu um câncer de mama quando tinha (pasmem) apenas 26 anos de idade. Hoje, cerca de dois anos depois e de muita, muita luta, a batalha da Gabi chegou ao fim. Gabi, nunca te conheci e hoje sinto não ter declarado antes minha admiração, mas aonde quer que você esteja, obrigada por ter sido um exemplo. Ainda farei muitas receitas em sua homenagem, prometo. Beijo grande.

Rafaella


Blogs da Gabi:






Friday, December 31, 2010

Sobre o Blog

Bem vindos! Sei que o blog vai demorar a ser lido por alguém que não seja eu, mas...um dia será, e então, que todas as pessoas que um dia o acessem se sintam bem-vindas por aqui. Falei um pouco sobre mim numa breve apresentação aqui à direita, mas não custa nada colocar aqui um pouco mais sobre mim e sobre o que me levou a escrever um blog. Vamos lá. Meu nome é Rafaella, sou paulistana (e não cearense como o nome do blog sugere), casada (com a maior cobaia das receitas feitas por mim), sem filhos, morando num apartamento pequeno com cozinha idem. Sou médica veterinária, especializada em animais silvestres e exóticos, porém há seis meses decidi mudar o rumo da minha vida profissional em nome de uma melhor qualidade de vida. Mudei de área e hoje levo uma vida que me permite ter mais tempo pra mim, pra minha família e pra minha casa. Isso inclui cozinhar. Bastante.
Não sou chef, sou apenas alguém que adora cozinhar. Vejo na Culinária, ou na Gastronomia, uma forma de agregar as pessoas, de transmitir sentimentos, de tornar momentos inesquecíveis. Quem não se lembra com carinho de um doce feito pela avó (ai.. os bolinhos de chuva da minha...), de um prato provado numa viagem especial, do aroma de manjericão fresco coroando uma bela macarronada. Então, que esse seja um blog que tenha apenas a pretensão de fazer a vida mais feliz.